Textos Críticos

Gersony Silva – Os Ruídos do Silêncio

O conjunto de obras que Gersony Silva apresenta no SUBSOLO Laboratório de Arte traçam e projetam sensorialmente processos de construção particular. São processos interdisciplinares que se conjugam em manifestos visuais que reforçam o poder prospectivo da arte.

A desconstrução processual de atmosferas irrompem em proposições voláteis, transgressivas e dinâmicas que se anulam e reverberam entre si. Assim, na série HÁlados, 2018 a potente gestualidade e a sugerida volatilidade referencial, de nomenclaturas e semânticas por exemplo, ultrapassa a rigidez interpretativa do representado, projetando a maleabilidade na apoderação do espectador e a reciclagem sensorial deste; incluída a fluidez cromática entre as obras e o site arquitetônico. Desta forma, intensificando, na conjunção obra/espectador, a imprevisibilidade da conexão dialética entre ação/reação recorrente da imprescindibilidade das relações entre os agentes artísticos contemporâneos.

As assas articulam-se como um conjunto em movimento e induzem à metáfora do deslocamento com perspectivas imantadas de poesia, de estrutura, de cores, de tempo, de vida e de sussurros ruidosos de silencio introspectivo e prospectivo, respectivamente.

Em Ruídos do silencio, 2018 a artista, revela como em seu processo de criação questiona a formalidade nas estruturas narrativas. Isto ao sufocar as interpretações explícitas, ao intensificar com eminência inúmeras e peculiares camadas processuais de construção de narrativas e ao articular à instabilidade e apreensão sensorial destas camadas, no que Rosalind E. Krauss define como o drama do movimento. Um drama que é reforçado, nesta obra, com a necessidade da presença da artista, fazendo da performance Desculpe minha mão está suando, 2015/2018 e consequentemente na conjunção dos processos fisionômicos dela com a materialidade do conjunto de elementos que compõem a instalação em sentido adirecional e mutável física, conceitual e sensorialmente: a corrosão do metal pela reação com o suor da artista, por exemplo.

Desde os ruidosos fluídos do suor sobre a corrente de metal, e como parte intrínseca da arquitetura de Ruídos do silencio , Silva coloca em xeque silenciosamente a captação, elaboração e projeção de manantes sensoriais que salientam que a transcendência de uma obra de arte radica, sobretudo, em seu poder transgressivo.
Andrés I. M. Hernández
Curador, crítico de arte e professor - São Paulo, inverno de 2018